A Honda Canadá está enfrentando uma nova ação coletiva alegando que seus motores turboalimentados de 1.5 litro sofrem de juntas do cabeçote defeituosas que podem levar a falhas dispendiosas do motor. O processo, protocolado no Tribunal Superior de Québec sob o nome *Martine Lupien v. Honda Canada Inc.*, acusa a montadora de ter conhecimento do problema há anos e de não ter tomado medidas adequadas para resolvê-lo ou para alertar os consumidores.
A ação visa compensar proprietários e locatários de veículos Honda equipados com o motor 1.5L turbo, especificamente os modelos Honda CR-V (anos-modelo 2017-2022), Honda Civic (2016-2021) e Honda Accord (2018-2022). O cerne da queixa é que as juntas do cabeçote nesses motores são propensas a falhar prematuramente, permitindo que o líquido refrigerante se misture com o óleo do motor e, em casos mais graves, cause superaquecimento e danos irreversíveis ao motor. Os queixosos alegam que esse defeito de fabricação resulta em uma vida útil significativamente reduzida para os componentes do motor, levando a reparos caros que os proprietários são forçados a custear do próprio bolso, mesmo fora do período de garantia.
De acordo com os documentos judiciais, os proprietários têm relatado uma série de sintomas associados a essa falha, incluindo superaquecimento do motor, perda de potência, consumo excessivo de líquido refrigerante sem vazamentos visíveis, e até mesmo a ignição de luzes de advertência no painel. Muitos proprietários descobriram o problema apenas quando seus veículos já estavam sofrendo de danos significativos. A acusação principal é que a Honda tinha, ou deveria ter tido, conhecimento do defeito através de reclamações de clientes, dados de garantia e relatórios de concessionárias, mas optou por não divulgar o problema ao público nem emitir um *recall* abrangente.
Os advogados dos queixosos argumentam que a Honda não apenas vendeu veículos com um defeito conhecido, mas também falhou em fornecer uma solução duradoura. Alega-se que as concessionárias, em alguns casos, realizaram reparos temporários ou substituíram as juntas do cabeçote por outras igualmente defeituosas, perpetuando o ciclo de falhas. A ação coletiva busca não apenas o reembolso pelos custos de reparo e desvalorização dos veículos afetados, mas também indenizações por danos morais e punitivos devido à suposta conduta negligente e enganosa da empresa.
Essa não é a primeira vez que a Honda enfrenta problemas relacionados a seus motores 1.5L turbo. Nos Estados Unidos e na China, a montadora já lidou com problemas de diluição de óleo em alguns modelos equipados com o mesmo motor, levando a *recalls* e atualizações de software em algumas regiões. Embora esses problemas de diluição de óleo sejam distintos das falhas na junta do cabeçote, ambos apontam para desafios na engenharia e durabilidade desses motores.
A ação coletiva em Québec busca certificar o grupo de todos os indivíduos no Canadá que compraram ou arrendaram um veículo Honda equipado com o motor 1.5L turbo. Se o processo for bem-sucedido, a Honda poderá ser obrigada a pagar milhões de dólares em compensação e, potencialmente, a implementar uma solução permanente para o defeito. Este caso sublinha a responsabilidade das montadoras em garantir a segurança e a confiabilidade de seus produtos, e a importância de responder prontamente às preocupações dos consumidores. A Honda Canadá ainda não se pronunciou publicamente sobre o processo, mas espera-se que apresente uma defesa vigorosa contra as alegações.
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