Em setembro de 2025, a Tesla ofereceu a Elon Musk o maior pacote de remuneração executiva da história: US$ 878 bilhões em ações ao longo de 10 anos. O conselho justificou a proposta como um incentivo para Musk alcançar metas “equivalentes a uma missão a Marte”, prometendo “zero” se ele não transformasse a Tesla e a sociedade em áreas como robótica, direção autônoma, valor de mercado e lucros.
Contrariando essa narrativa, uma análise da Reuters, baseada em especialistas, revela que Musk pode lucrar dezenas de bilhões de dólares sem cumprir a maioria dessas metas ambiciosas. A revisão sugere que ele pode embolsar mais de US$ 50 bilhões ao atingir apenas algumas das metas mais fáceis, que não necessariamente revolucionariam os produtos ou o modelo de negócios da Tesla. Mesmo com o cumprimento de apenas duas metas acessíveis e um crescimento modesto das ações, Musk poderia receber US$ 26 bilhões, valor superior à remuneração vitalícia combinada de oito dos CEOs mais bem pagos do mundo.
As metas de vendas de veículos são consideradas “excepcionalmente fáceis”. Se Musk vender, em média, 1,2 milhão de carros por ano na próxima década — meio milhão a menos que o volume de 2024 —, ele pode garantir US$ 8,2 bilhões em ações, caso o valor de mercado da Tesla cresça modestamente para US$ 2 trilhões até 2035, um ritmo inferior à média histórica do mercado. A Tesla recentemente lançou versões mais baratas para impulsionar vendas em queda.
Três metas de desenvolvimento de produto são formuladas com linguagem vaga, permitindo pagamentos substanciais a Musk sem aumento significativo nos lucros. O conselho afirmou que o pacote “vale zero” a menos que a empresa quase dobre de valor e uma meta operacional seja atingida, exigindo que Musk permaneça como executivo por um período determinado. Musk indicou que o pacote visa “garantir influência suficiente sobre a Tesla” para construir “milhões de robôs”, não apenas compensação.
Entre as metas com redação flexível estão: 10 milhões de assinaturas do software “Full Self-Driving” (FSD), que, embora não seja totalmente autônomo, exige apenas um “sistema de direção avançado” (termo “inventado”), facilmente alcançável com redução de preço. Um milhão de “robôs-táxi” em operação sem motorista humano, que pode ser interpretada para permitir controle remoto. E um milhão de “bots” (robôs humanoides Optimus), definida amplamente como “qualquer robô ou outro produto físico com mobilidade usando inteligência artificial”, frustrando expectativas de especificidade.
O cumprimento de duas metas de produto, combinado com uma valorização de US$ 2,5 trilhões, pode render a Musk US$ 26,4 bilhões. Com três metas e US$ 3 trilhões em valor de mercado, o valor subiria para US$ 54,6 bilhões. Tais pagamentos podem ocorrer sem que a Tesla entregue carros verdadeiramente autônomos, um produto prometido há uma década.
As metas de lucro são as mais desafiadoras, exigindo um EBITDA entre US$ 50 bilhões e US$ 400 bilhões, contra os US$ 16,6 bilhões de 2024. O negócio de veículos elétricos da Tesla enfrenta dificuldades, e o Cybertruck teve um lançamento problemático. Contudo, a estrutura de remuneração permite pagamentos massivos sem atingir metas de lucro, pois cada objetivo (lucro, vendas ou FSD), combinado com um aumento no valor de mercado, oferece o mesmo pagamento de 1% em ações.
As metas de valorização de mercado são consideradas mais fáceis. A Tesla poderia atingir US$ 2 trilhões com um crescimento anual de 6,4% na década, mais lento que a média do S&P 500. Analistas apontam que a valorização poderia “facilmente ultrapassar US$ 3 trilhões”, embora o valor atual da Tesla já esteja “amplamente baseado em produtos futuros que ainda não existem”.
