A Toyota do Brasil anunciou a retomada gradual da produção de veículos em suas fábricas de Indaiatuba e Sorocaba a partir de novembro, após mais de um mês de paralisação. A decisão foi comunicada pelo presidente da companhia, Evandro Maggio, ao g1, nesta sexta-feira (3). A medida se tornou necessária depois que uma tempestade com ventos de até 90 km/h, ocorrida em 22 de setembro, danificou severamente a unidade de Porto Feliz (SP), responsável pela fabricação e fornecimento de motores para as outras plantas.
A fábrica de motores de Porto Feliz teve sua cobertura arrancada e permanece inoperante por tempo indeterminado, sem previsão de retorno. Essa unidade, crucial para a cadeia produtiva da Toyota no país, produzia anualmente 205 mil motores, cerca de 800 por dia, dos quais 21 mil eram destinados à exportação para os Estados Unidos. “A unidade continuará parada porque os danos foram severos”, afirmou Maggio.
Para contornar a interrupção em Porto Feliz e viabilizar a reabertura das demais fábricas, a Toyota recorrerá à importação de motores diretamente do Japão. A quantidade exata de motores a ser importada ainda não foi definida, pois a demanda será avaliada mensalmente. A prioridade inicial será a produção de modelos híbridos flex, como o Corolla e o Corolla Cross, que estão entre os mais vendidos da marca. Os primeiros veículos a sair da linha de montagem incluirão as versões Corolla GLi HEV (R$ 189.000), Corolla Altis Premium (R$ 199.990) e Corolla Cross XRX (R$ 219.890).
Os modelos convencionais a combustão (flex e gasolina) do Corolla e Corolla Cross, assim como outros veículos, só deverão ter sua produção retomada entre janeiro e fevereiro de 2026. O Yaris hatch também voltará à linha de montagem nesse período, porém, exclusivamente para exportação, visto que o modelo não é mais comercializado no mercado brasileiro.
A paralisação gerou negociações com os sindicatos para proteger os empregos. Enquanto os 1.500 empregados de Indaiatuba e os 5.800 de Sorocaba retornarão ao trabalho em 21 de outubro, os 800 funcionários de Porto Feliz serão colocados em regime de layoff (suspensão temporária do contrato) por tempo indeterminado.
Apesar dos graves danos estruturais ao prédio da fábrica de Porto Feliz, os equipamentos de produção foram, em grande parte, preservados, sofrendo apenas danos superficiais. A empresa planeja transferir essas máquinas para outro local dentro da mesma área fabril, a fim de minimizar riscos futuros. Operários já estão trabalhando na remoção dos escombros, embora a área ainda seja considerada de risco. O prejuízo total ainda não foi contabilizado.
Evandro Maggio ressaltou que, felizmente, não houve fatalidades decorrentes da tempestade. Dezoito colaboradores ficaram feridos, mas receberam atendimento imediato e continuam sendo acompanhados. A Toyota está recebendo apoio da matriz global e de fornecedores para acelerar o processo de recuperação e manter seu compromisso com a mobilidade sustentável no Brasil.
A retomada ocorre em um momento de planos de expansão significativos para a Toyota no Brasil. A fábrica de Indaiatuba, por exemplo, será desativada até julho de 2026, com sua produção transferida para a nova unidade “Sorocaba 2”, atualmente em construção e prevista para ser concluída no segundo semestre do próximo ano. A fábrica de Sorocaba 1 continuará produzindo o Corolla Cross e o Yaris para exportação, além de abrigar a fabricação do futuro Yaris Cross.
O lançamento do Yaris Cross, inicialmente previsto para o final de outubro, foi adiado. O novo SUV, que terá um motor 1.5 híbrido flex de injeção direta (diferente do 1.8 dos Corolla), concorrerá com modelos como Honda WR-V e Volkswagen Tera. A Toyota está avaliando alternativas externas para a produção desse motor, cuja estrutura ferramental será a última etapa da recuperação pós-vendaval em Porto Feliz.